OS
VÁRIOS SABERES
Vivemos um período de transição e transformação no
processo de educação, de troca, transmissão e construção de conceitos e
saberes. Por muito tempo os conhecimentos que acreditava-se serem necessários
aos bons cidadãos, eram passados de geração a geração, no convívio e na troca
de experiências. A isto, deu-se lugar a uma reestruturação no processo de
"educar" as crianças, com instituições específicas, métodos, teorias
e linhas de ação próprias. Anulam-se os particularismos culturais e passa-se a
priorizar uma homogeneização que exclui a diversidade cultural dos diferentes
grupos sociais. Passa a vigorar a ideia de um professor que tudo sabe e de um
aluno que tudo tem a aprender e tudo desconhece.
Este tipo de escola e de professor não consegue mais
satisfazer e atrair os educandos nos dias atuais, uma vez que estes vivem em um
mundo cheio de informações (não mais somente nos centros acadêmicos) que estão
cada vez mais acessíveis a cada um. A informação por si só, sem o debate, o
entendimento, sem o porquê, sem a troca de diferentes verdades possíveis,
encontramos facilmente, mas é este leque de possibilidades e provocações que a
escola atual precisa enfrentar e trabalhar. Fazer com que nosso aluno não
queira somente a informação e sim, compreender o modo como se deu tal
acontecimento, quais as possibilidades, quais as versões, qual sua opinião,
enfim, é este papel provocador e instigante que a escola atual deve desempenhar.
A informação é uma peça e então o que fazer com ela?
Precisamos, enquanto escola, não mais transmitirmos
informações e sim, procurarmos desenvolvermos diferentes habilidades e
capacidades. Fazer com que o aluno crie suas ideias, mas também argumentos
coerentes para defendê-las, que elabore novos conceitos, mas baseados em
pesquisa e experimentação para fundamentá-los, ou seja, o aluno tem a
informação então precisa fazer uso da mesma para criar e elaborar suas próprias
análises, interpretações e teorias a partir da mesma. Penso ser estas
habilidades que sejam necessárias ao aluno atual. Capacidades que precisam ser
construídas, reforçadas, estimuladas e moldadas.
Sendo assim, faz-se necessário que as vivências, modos de
pensar, agir e compreender de cada indivíduo (professores, alunos) e do grupo
social em que estão inseridos, devem ser respeitadas, consideradas e
valorizadas dentro do processo de educação, para que o mesmo tenha sentido e
significado, coerência e entendimento.
Estes vários saberes de nossos alunos e do grupo que
formamos na escola, podem e devem ser levados em conta dentro da prática
escolar. Uma possibilidade é a elaboração de projetos que envolvam os alunos a
buscar diferentes ideias e conceitos não somente no espaço escolar, onde também
a produção e criação (virtuais e materiais) dos mesmos saia para fora da escola
(jornais, cartas, blogs, redes sociais...).
Estamos em um período de transição na sociedade como um todo.
Alunos e professores precisam aprender a lidar com as novas mudanças, acesso
facilitado à informação, redes sociais, mundo digital, porém não podemos
esquecer que somente a Educação transformadora e participativa é que terá
condições de preparar bons cidadãos atuantes e participativos, pois como dizia
Paulo Freire: "Se a educação sozinha não transforma a
sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda".
Simone Fries Gauer
Concordo com as tuas colocações, penso que cada vez mais o trabalho na educação torna-se complexo. Pois,não basta transmitir informações,precisamos fazer pensar e refletir sobre as mesmas.
ResponderExcluirMuito bem falado, Simone. O que me preocupa é a nossa falta de preparo em lidar com essa nova Escola.
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